O Porto está no radar do investimento externo

Desde a constituição da Invest Porto, gabinete de atração de investimento criado por Rui Moreira, em 2015, que a cidade entrou definitivamente no radar das empresas tecnológicas internacionais. O secretário de estado da indústria diz que “em Londres só perguntam pelo Porto”. O artigo que o demonstra está publicado no jornal Porto. que agora reproduzimos online.

A dinâmica económica da cidade disparou nos últimos três anos. Esta realidade, que os portuenses sentem na rua e nas suas vidas, está longe de se alicerçar apenas no turismo. Este setor de atividade representa hoje para o país onze mil milhões de euros de investimento, o que tem ajudado a impulsionar o fenómeno da reabilitação urbana das cidades, mas também a dinamizar outros sectores de economia. Em 2015, Rui Moreira criou um gabinete de atração de investimento, o Invest Porto, depois de chamar a si o pelouro da economia. Em causa estava aproveitar a visibilidade que a cidade do Porto hoje possui, quer através do turismo quer através de outras componentes da marca Porto, que também desenvolveu.

Tirando partido da extraordinária qualidade da Universidade do Porto, do Politécnico e da restante Academia da cidade, a autarquia pôde assim começar a mostrar aos investidores o caminho para apostarem numa cidade segura, confortável, cosmopolita e com mão-de-obra disponível. E servir como facilitadora do investimento. Surgiram então investimentos de diversos setores, nacionais e internacionais. Na inauguração das instalações da Critical Software, um dos gigantes mundiais nesta área, o secretário de estado da indústria, ex-presidente da Startup Lisboa, deixou claro que a cidade do Porto é hoje a mais referenciada no estrangeiro. “Acabei de vir de Londres, onde estive com centenas de investidores na área da inovação. Só se fala do Porto e começa a ser rotineiro vir aqui inaugurar projetos na área da inovação”, afirmou João Vasconcelos.

Para Ricardo Valente, um professor universitário e vereador eleito pelo PSD, que entretanto se juntou à equipa de Rui Moreira e ficou com a pasta da economia, “a nossa capacidade de inovar dentro daquilo que sabemos fazer bem é a nossa capacidade de vencer. Temos qualidade intrínseca. A formação dos nossos recursos humanos começa a ter o reconhecimento internacional que merece”.

Para o economista, “no Porto existe o maior ecossistema de startups a nível nacional”. O agora vereador explica ainda que “o Pelouro de Desenvolvimento Económico e a InvestPorto, têm dado apoio à localização empresarial através da Porto Business Location Platform, que permitiu a apresentação de 342 propostas de localização a potenciais investidores, muitas do setor das tecnologias de informação e share services centres, empresas exportadoras e com forte presença internacional”.

Ricardo Valente revela que “desde 2015 foram apoiados 106 projetos de investimento na cidade, 57 dos quais internacionais”. Estes projetos têm criado centenas de postos de trabalho qualificado, sobretudo junto da comunidade de engenheiros e especialistas oriundos da Universidade do Porto, enquanto o turismo tem sido de primordial importância para criar emprego indiferenciado e pouco especializado.

DEZ EXEMPLOS DE EMPRESAS QUE NÃO DEIXAM O PORTO PARADO

O primeiro trimestre de 2017 bateu todos os recordes de investimento tecnológico e industrial na cidade do Porto. Os indicadores preliminares mostram que o crescimento exponencial da instalação de empresas na cidade nos últimos três anos, disparou em 2017, registando-se, nos últimos dois meses, a abertura de importantes centros tecnológicos e ninhos de empresas.

O jornal Porto. dá-lhe dez exemplos desses importantes investimentos realizados em 2017 e que representam, no seu conjunto, 1700 postos de trabalho qualificado, criado no Porto, além de muitos milhões de euros em reabilitação urbana, em vários pontos da cidade.

O papel da Invest Porto, gabinete de atração de investimento criado por Rui Moreira, mas também da Universidade do Porto, foi fundamental para fixar estas dez empresas, onde encontramos emigrantes regressados, empresas estrangeiras de referência, gigantes do software internacional e ninhos de empresas que reabilitam edifícios.

Pela dimensão e importância global, merece destaque a instalação no Porto da EURONEXT e da Critical Software, que no seu conjunto representam quase 300 postos de trabalho recrutados no Porto, do banco francês Natixis e do District, que aloja mais de 50 empresas no antigo edifício do Governo Civil, na Batalha. Tudo, em 2017.

GESTÃO BOLSISTA DA EUROPA NA BOAVISTA

A Euronext saiu da Irlanda para se instalar no Porto, onde dispõe desde Março, na Avenida da Boavista, do seu centro tecnológico, a partir do qual comanda alguns dos mais importantes mercados bolsistas da Europa.

SOFTWARE DA NASA NA RUA DO BONJARDIM

A Critical Software está na baixa do Porto desde Fevereiro, onde desenvolve sistemas tecnológicos destinados a clientes como a NASA ou a Airbus, competindo no mercado global como uma das mais competitivas do planeta.

CRIATIVIDADE DO PORTO NOS ALIADOS

Os primeiros dias do ano foram também de casa nova para a Pixelmatters, uma startup portuense que se mudou para a Baixa, onde cresceu para mais de 20 colaboradores. Trabalhar com vista para os Aliados parece ser uma boa fonte de inspiração para a empresa do jovem engenheiro de 26 anos. André Oliveira, que diz que a sua startup é a mais “fixe” da cidade.

CONDOMÍNIO NO MARQUÊS

Em Abril foi também inaugurado o Founders Founders, um importante e inova- dor ninho de empresas perto da Praça do Marquês, onde já moram 13 empresas tecnológicas, constituídas por jovens empreendedores que, para o efeito, reabilitaram um edifício e ali se instalaram.

GIGANTE MUNDIAL NO PORTO

Também no primeiro trimestre do ano foi decidida a instalação no Porto da Hostelworld, um dos maiores operadores de marcações online do planeta, criando 50 postos de trabalho. A empresa refere “o trabalho incansável da Câmara do Porto” na captação deste importante investimento.

O REGRESSO DAS INDÚSTRIAS À CIDADE

Mas também na área industrial o Porto despertou de décadas de desinvestimento. Em plena Baixa da cidade foi criada a Fábrica de Cerveja Portuense, criando directamente 50 postos de trabalho e uma nova marca cervejeira da cidade.

EMIGRANTES DE REGRESSO

A Talkdesk, empresa criada por dois empreendedores portugueses nos Estados Unidos da América, está também no Porto desde março. Resulta do regresso de emigrantes, qualificados, que beneficiaram do trabalho articulado entre a autarquia e a Universidade do Porto.

STARTUPS COM A U.PORTO

A alemã Bottlebooks é outra startup internacional que resulta do trabalho de captação de investimento internacional concertado entre a Universidade do Porto em parceria com a Câmara do Porto, através da Invest Porto.

VIDA REGRESSA À BATALHA

O District Offices and Lifestyle foi igualmente inaugurado no primeiro trimestre do ano. Neste caso, a empresa privada que adquiriu o antigo e abandonado edifício do Governo Civil, junto à Batalha, alberga 55 empresas, muitas delas dos sectores tecnológicos e da comunicação. Um verdadeiro ecossistema empresarial, que emprega mais de 300 pessoas na Baixa da cidade. O empreendedor tinha adquirido o edifício para construir um hotel, mas acabou a fazer um centro empresarial, num processo que agradeceu à Câmara do Porto o empenho colocado no projecto.

600 POSTOS DE TRABALHO NO BONFIM

Mas, talvez, o mais importante investimento anunciado no primeiro trimestre do ano tenha sido feito pelo banco francês Natixis. O antigo centro comercial Central Shopping vai voltar a ser ocupado, graças a este enorme investimento em tecnologias de informação que cria 600 novos postos de trabalho. O banco desloca de Paris para o Porto o seu centro tecnológico e reabilita um prédio há muito abandonado.

DERRAMA DUPLICOU EM 2016

A criação de valor na área empresarial e, em concreto, no sector tecnológico no Porto tem também uma dimensão fiscal. O imposto que se relaciona com a actividade empresarial nas cidades, a derrama, registou uma receita superior a 20 milhões de euros no Porto em 2016, mais do dobro da registada em 2012, ano em que atingiu o pior resultado do século. A receita é a maior dos últimos dez anos, apesar de Rui Moreira ter baixado a taxa para empresas com facturação inferior a 150 mil euros anuais. O Município do Porto recebeu no último ano uma receita de 20.860.133,32 euros, a maior da década. Em 2006, o mesmo imposto, que se relaciona com os proveitos obtidos pelas empresas sediadas no Porto, era de menos de 14 milhões (13.930.350,35 euros), tendo crescido até 2009, ano em que atingiu os 18 milhões, caindo, depois, sucessivamente, até aos 10.346.661,84 euros, em 2012. Quanto aos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), não espelham, ainda, esta última vaga de investimento.

Ainda assim, as estatísticas oficiais até 2015 mostravam já uma evolução notável. Em 2015 foram constituídas no Porto 1.722 empresas, 139 das quais são industriais e 1.585 de serviços. Estes números constam de um estudo da Pordata, base de dados da Fundação António Manuel dos Santos, que se baseia no INE e ainda não agregam os números referentes a 2016, mostrando um crescimento de 30% relativamente a 2012. Outro estudo demonstra que o Porto já é líder nacional na criação de Startups.

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